Encíclica de Bento XVI “Caritas in Veritate”

Julho 7, 2009

Caritas_VeritateBento XVI defende na sua terceira encíclica, “Caritas in Veritate” (A caridade na verdade), uma nova ordem política e financeira internacional, para governar a globalização e superar a crise em que o mundo se encontra mergulhado.

No documento, tornado público esta terça-feira, o Papa apresenta como prioridade a “reforma quer da Organização das Nações Unidas quer da arquitectura económica e financeira internacional”, sentida em especial “perante o crescimento incessante da interdependência mundial”, mesmo no meio de uma “recessão igualmente mundial”.

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BENTO XVI – NOVA ENCÍCLICA SOBRE TEMAS SOCIAIS

Junho 30, 2009

n54393616247_1388994_2890332Os temas sociais estão no centro da terceira encíclica de Bento XVI, intitulada “Caritas in veritate” (Caridade na Verdade), cuja próxima publicação foi anunciada pelo papa aos peregrinos concentrados na Praça de São Pedro, durante a Oração do Angelus.

A encíclica, que tem a data do dia de São Pedro e de São Paulo, visa “aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento integral” na época actual, “à luz da caridade na verdade“, afirmou Bento XVI.

Neste documento pastoral, o papa retoma temas tratados por Paulo VI em 1967 na encíclica “Populorum Progressio”, considerado de referência para a Doutrina Social da Igreja.

Ao fazer o anúncio da encíclica, Bento XVI pediu orações para o novo contributo que a Igreja Católica “oferece à humanidade, no seu empenho por um progresso sustentável, no pleno respeito pela dignidade humana e pelas reais exigências de todos”.

No final de Fevereiro deste ano, já em plena crise financeira, o Papa tinha anunciado que iria tratar deste assunto numa encíclica, prometendo denunciar as “injustiças económicas” e “erros fundamentais” que conduziram à crise, que considerou ser o resultado “da avareza humana e da idolatria”, em que se substituiu o “verdadeiro Deus pelo deus da avareza”.

Esta é a terceira encíclica de Bento XVI, que tem produzido estes documentos pastorais de dois em dois anos.

Em Dezembro de 2005 anunciou a publicação da primeira encíclica do seu pontificado, “Deus carita est” (Deus é amor), seguida, em Novembro de 2007, por “Spe salvi” (Salvos na esperança).

Texto do [Expresso] e imagem [daqui]


D. ANTÓNIO VITALINO DEFENDE LEVANTAMENTO DAS SITUAÇÕES DE POBREZA

Junho 22, 2009

P1030383(1)D. António Vitalino pede mobilização geral para fazer face à situação de crise no país

O Bispo de Beja considera que é importante que as paróquias, as instituições sociais e caritativas, as escolas, as autarquias e as forças de segurança se unam para fazer “um levantamento das situações de pobreza, em sentido lato, na sua vizinhança ou na área da sua intervenção”.

“Se encontrarem alguma situação de extrema pobreza não esperem por soluções vindas de terceiros, mas tornem-se intermediários imediatos de algum alívio”, refere D. António Vitalino na sua nota semanal para a Rádio Pax.

O Bispo de Beja retoma algumas das ideias apontadas no final das Jornadas, escrevendo que “todos precisamos de nos reeducar para um estilo de vida mais sóbrio e simples, reduzindo os nossos consumos às necessidades fundamentais, no respeito pela ecologia e na partilha com os mais pobres”.

A terminar, afirma: “Superar a crise está também nas minhas e nas vossas mãos, estimados ouvintes e leitores, e não apenas nas dos políticos e das instituições.”

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MAIS DE MIL MILHÕES DE PESSOAS COM FOME NO MUNDO

Junho 22, 2009

medium_24664_0099w300Os famintos do mundo ultrapassaram a barreira dos mil milhões, indica relatório das Nações Unidas. O aumento foi de mais de 100 milhões de pessoas em relação ao passado ano.

Segundo a «Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação», a grande maioria das pessoas malnutridas vivem nos países em desenvolvimento: Cerca de 642 milhões na Ásia e Pacífico, 265 milhões em África Subsariana, 53 milhões na América Latina e Caraíbas e 42 milhões no Norte de África e Médio Oriente. Apenas 1 por cento dos que passam fome vivem em países ricos.

«Essa silenciosa crise alimentar que atinge 1/6 de toda a população mundial constitui um sério risco para a paz e a segurança no mundo», salientou o Director-geral da FAO, Jacques Diouf.

O Director da «Divisão de Desenvolvimento Económico e Agrícola» da FAO, Kostas G. Stamoulis, fez a importante revelação de que, este ano, houve recorde da colheita de trigo: «Então, não há falta de comida, mas sim falta de acesso à comida».

Para a FAO, o objectivo fixado sobre a alimentação, de reduzir à metade o número de pessoas com fome, não será alcançado até 2015. América Latina e Caribe foi a única região que registou sinais de melhora nos últimos anos, mesmo assim foi comprovado um aumento (12,8 por cento) do número de desnutridos.

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O Mapa da Fome (FAO)

O Mapa da Fome (FAO)


COMUNICADO FINAL da Assembleia Plenária Extraordinária da Conferência Episcopal Portuguesa

Junho 19, 2009

CEPOs Bispos de Portugal estiveram reunidos, de 15 a 18 de Junho de 2009, na Casa de Nossa Senhora das Dores, do Santuário de Fátima, para participar nas «Jornadas Pastorais do Episcopado». Este ano tiveram por tema: «Pastoral sócio‑caritativa: Novos problemas, novos caminhos de acção».

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IGREJA E A ACÇÃO SOCIAL

Junho 17, 2009

paoEstudo realizado pela Universidade Católica Portuguesa fala de centenas de milhares de respostas a situações de carência.

As instituições sociais da Igreja Católica dão resposta a mais de meio milhão de situações de carência e empregam mais de 23 mil pessoas, um número que poderá ser maior, uma vez que o voluntariado, não quantificado, é uma dimensão com alargada presença na acção social da Igreja.

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HOME

Junho 14, 2009

120X160_home_uk2An exceptional event for exceptional times

A exibição on-line do filme HOME está disponível no YouTube apenas até ao fim do dia de hoje, 14 de Junho.

Não percam esta oportunidade de o ver. HOME é um documentário realizado pelo fotógrafo e jornalista francês Yann Arthus-Bertrand, produzido por Luc Besson e Denis Carot. É um filme que nos convida a um outro olhar sobre o planeta terra, a reflectir sobre a nossa relação com o ambiente e as diferentes formas de vida na Terra.

A NÃO PERDER:


GERAÇÃO DIGITAL

Maio 23, 2009

cartaz2009As três Celebrações deste Domingo são convergentes no sentido, porque Jesus antes de subir para o Pai propõe: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar será salvo…”. A celebração da Família Rural, na Casa do Oeste, tem por finalidade evidenciar o papel dos cristãos na construção do Reino de Deus, a partir da Fé. Os cristãos são, simultaneamente cidadãos da cidade de Deus e da cidade dos homens e são chamados a introduzir na construção da cidade dos homens a novidade e a profundidade da Fé recebida. É disto que falará o Prof. Dr. António Matos Ferreira “Os Movimentos da Acção Católica e a sua actualidade no contexto social e eclesial”. Pois, os cristãos são chamados a tornarem a Igreja presente e activa nos locais e circunstâncias em que, só por meio deles, ela pode ser o sal da terra. Pertence aos leigos pelas suas iniciativas e sem esperar passivamente ordens e directrizes, imbuir de espírito cristão a mentalidade e os costumes, as leis e as estruturas da sua comunidade de vida (AO.48e PP). O papa Bento XVI, na sua mensagem sobre os meios de Comunicação Social, centra a nossa atenção na “geração digital”. O mundo da Internet. Propõe-nos uma reflexão sobre “As novas tecnologias e as novas relações,… no continente digital”. Sejam também eles meios de semear o Evangelho de Jesus Cristo. João Paulo II já nos tinha falado da Internet como “novo fórum para a evangelização”. As mudanças que cada vez mais afectam a vida das pessoas e sobretudo as novas gerações e de modo profundo, são um desafio novo à acção missionária evangelizadora. Porque as novas tecnologias são um potencial extraordinário, “quando usadas para favorecerem a compreensão e a solidariedade humana”. Por conseguinte devemos usar as redes digitais para “promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação” Diz-nos o Papa: «Desejo encorajar todas as pessoas… a que se empenhem na promoção de uma cultura do respeito, do diálogo, da amizade” – usando os telemóveis, os computadores e a Internet:

- Promovendo o respeito pela dignidade e valor da pessoa humana: «Se as novas tecnologias devem servir o bem dos indivíduos e da sociedade, aqueles que as usam devem evitar a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, consequentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os débeis e os inermes.»

- Promovendo o diálogo entre as pessoas «radicado numa busca sincera e recíproca da verdade, para realizar a promoção do desenvolvimento na compreensão e na tolerância. A vida não é uma mera sucessão de factos e experiências: é antes a busca da verdade, do bem e do belo. […].

- Promovendo a amizade «Nas nossas amizades e através delas crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. […] Seria triste se o nosso desejo de sustentar e desenvolver on-line as amizades fosse realizado à custa da nossa disponibilidade para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos na realidade do dia a dia, no lugar de trabalho, na escola, nos tempos livres. De facto, quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são desenvolvimento humano.»

P. Batalha

Mensagem de Bento XVI


CRISE? QUE CRISE?

Maio 12, 2009

crise, Crise, CRISE, CRISE ….

Todos falamos da crise! Todos temos muitas soluções para a crise! Todos somos entendidos em economia e finanças! Mas de que crise falamos? A crise dos poderosos ou a crise dos que há já muito tempo passam fome?…

E temos falado das injustiças? E temos falado da exploração? E temos falado das desigualdades? E temos falado da miséria? E temos falado da especulação? E temos falado da ganância? E temos falado da crise de valores? E temos falado da manipulação política da crise? E temos falado da demagogia? E temos falado dos oportunistas? E temos falado…

De que crise falamos?

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS… NÃO PODEMOS IGNORAR!


1º de Maio – Dia do Trabalhador e da Solidariedade

Abril 30, 2009

O 1º de Maio é celebrado mundialmente como o “Dia do Trabalhador”. Mas esta data tem uma história.

A “miséria imerecida”
Em finais do século XIX, com o início da industrialização, começaram a aparecer novos problemas relacionados com o trabalho. O Papa Leão XIII dá conta do “temível conflito” que se estava a gerar “entre o mundo do capital e o do trabalho” dando lugar a uma situação de “miséria imerecida” (encíclica “Rerum Novarum”, 15-05-1891).
Um dos principais problemas que atingiam os operários era o horário de trabalho. Trabalhava-se de sol-a-sol, como os agricultores. Alguns reformadores sociais já tinham proposto, em várias épocas, a ideia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica pelos empregadores.
Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo, a proposta da jornada de oito horas tornou-se um dos objectivos centrais das lutas operárias e também causa de violentas repressões e de inúmeras prisões e até morte de trabalhadores.

Os “Mártires de Chicago”

No 1º de Maio de 1886, milhares de trabalhadores de Chicago (Estados Unidos da América), tal como de muitas outras cidades americanas, foram para a rua, exigindo o horário de oito horas de trabalho por dia. No dia 4 de Maio, durante novas manifestações, uma explosão serviu de pretexto para a repressão brutal que se seguiu, que provocou mais de 100 mortes e a prisão de dezenas de operários.
Este acontecimento, que ficou conhecido como os “Mártires de Chicago”, tornou-se o símbolo e marco para uma luta que, a partir daí, se generalizou por todo o mundo.

Os novos problemas
Passados todos estes anos, a história do movimento operário continua a ser feita de avanços e recuos, vitórias e derrotas. Entre nós, a luta pelo horário de oito horas também tem uma longa história. Só em Maio de 1996 o Parlamento aprovou a lei da semana de 40 horas (oito horas diárias de segunda a sexta feira). No entanto, as horas extras e o trabalho em fins de semana, acabam muitas vezes por anular as conquistas consignadas na lei.
As novas formas de organização do trabalho, a precarização e a globalização vem trazer novos problemas que os trabalhadores têm que enfrentar.
A exploração do trabalho infantil e da mulher, bem como dos imigrantes são um desafio permanente à imaginação e à capacidade de organização e de luta dos trabalhadores.

A solidariedade
A Doutrina Social da Igreja propõe a solidariedade – a que chama “virtude” – como o meio necessário e indispensável para que a luta dos trabalhadores pela sua dignidade, seja eficaz. João Paulo II, na “Solicitude Social da Igreja” (nº 38), reconhece “como valor positivo e moral, a consciência crescente da interdependência entre os homens e as nações. O facto de os homens e as mulheres, em várias partes do mundo, sentirem como próprias as injustiças e as violações dos direitos humanos cometidas em países longínquos, que talvez nunca visitem, é mais um sinal de uma realidade interiorizada na consciência, adquirindo assim conotação moral.
Trata-se antes de tudo da interdependência apreendida como sistema determinante de relações no mundo contemporâneo, com as suas componentes – económica, cultural, política e religiosa – e assumida como categoria moral. Quando a interdependência é reconhecida assim, a resposta correlativa, como atitude moral e social e como “virtude”, é a solidariedade. Esta, portanto, não é um sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes. Pelo contrário, é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos.”

Dia de festa
Não se pense que este dia, herdeiro de uma forte tradição de luta operária, à mistura com perseguições, prisões e até mortes, é um dia triste. Não, porque nele também se recordam as conquistas – pequenas e grandes – que os trabalhadores foram conseguindo através dos tempos. É uma longa história que sabe bem recordar e celebrar.
Os Movimentos Operários da Acção Católica – JOC e LOC/MTC – costumam celebrar o 1º de Maio como o “Dia da Solidariedade”, em que propõem aos seus membros e amigos, além de recordar e celebrar o significado histórico deste dia, a participação com um dia de salário para as despesas dos respectivos Movimentos.

Dia de S. José Operário
A Igreja quis dar a este dia de acção e de festa – “A Festa do Trabalho” – uma dimensão de fé. Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a Festa de S. José Operário, a ser celebrada precisamente no dia 1 de Maio de cada ano.

Publicado no site http://www.ecclesia.pt, e assinado por Horácio Noronha, Assistente Nacional da LOC/MTC

O 1º de Maio de 1886 em Chicago – O 1º Dia do Trabalhador em Portugal, depois do 25 de Abril de 1974 (a 2ª foto está no site da Fundação Mário Soares) – Os cartazes do 1º de Maio de 2008 das duas Centrais Sindicais