Partilhar – por um Mundo mais Justo…

Conclusões da 33ª Semana de Estudos da Acção Católica Rural do Patriarcado de Lisboa

Durante cinco dias ouvimos, conversámos, reflectimos em conjunto e constatamos que:

  1. Nunca houve tanta riqueza no mundo como nos dias de hoje, mas o número de pobres continua a ser assustador. A sociedade em geral e os cristãos em particular não podem ignorar esta realidade e sobre a qual é importante agir.
  2. A pobreza afecta, em maior ou menor grau, a generalidade dos países, e as suas causas estão relacionadas com (in)capacidade de organização. A existência ou não de organização pode ser vista a diferentes níveis que vai do pessoal, ao familiar, à comunidade, ao país e ao nível mundial. Da mesma forma, a compreensão e discussão de soluções para a pobreza pode e deve ser encarada nesses diferentes níveis ou escalas de actuação.
  3. O actual estilo de vida dos países mais ricos tem sido efectuado muitas vezes à custa dos países mais pobres. Em muitos casos, o chamado progresso económico e tecnológico é efectuado sem atender às consequências sociais e aos efeitos sobre o ambiente, consumindo de forma irracional os recursos do planeta no seu todo e comprometendo a própria vida humana no presente e no futuro.
  4. O modelo económico actual permite esquemas subversivos do seu próprio funcionamento, como seja o uso e abuso da especulação. Assim, os que possuem mais dinheiro usam-no para reter armazenados bens essenciais à vida de outros, encarecendo, no curto e longo prazo, bens alimentares e outros, contribuindo para o agravamento da pobreza e do fosso entre os países mais ricos e os mais pobres.
  5. A economia solidária tem que ser reinventada. De facto, já existe por todo o mundo experiências positivas muito significativas que procuram contrariar a lógica consumista e imediatista que vem sendo adoptada desde o século passado. A capacidade crítica é cada vez mais necessária para não nos deixarmos envolver pelas teias que a publicidade e os esquemas montados pelos grandes grupos nos querem incutir, com promessas de vida e felicidade fácil.
  6. Um novo século estamos a viver, e novas soluções são necessárias. Pertencemos ao maior movimento mundial, mas não estamos conscientes disso porque ainda não estamos suficientemente organizados. Pertencemos ao movimento social dos que acreditam na solidariedade e na importância de revermos os nossos estilos de vida, para que outros possam de facto melhorar as suas condições de vida…A relação entre diminuição da pobreza e a protecção do ambiente e dos recursos naturais é um facto sobre o qual temos vindo a ganhar consciência, e que nos interpela individualmente e enquanto sociedade.
  7. Os recursos do planeta não são suficientes para manter o padrão de vida das sociedades de consumo e em simultâneo erradicar a pobreza nos países africanos e asiáticos. Mudar é preciso, reciclar é importante, racionar é necessário, reinventar é urgente.

Denúncias que queremos efectuar:

  • apenas um quinto do capital existente no mundo é utilizado para produzir riqueza, o restante é usado em negócios especulativos;
  • alguns progressos tecnológicos, como seja o cultivo de produtos transgénicos, apresentam enormes prejuízos sociais e ambientais. Grande parte dos consumidores não tem sequer conhecimento dessa situação.

Alguns projectos/ideias que queremos ajudar a ampliar:

  • a rede de estabelecimentos do comércio justo e de produtos biológicos;
  • a rede de Movimentos e Associações que promovem o desenvolvimento integrado e o equilíbrio ambiental;
  • a rede de grupos/instituições de voluntariado nos mais diversos sectores, como seja na área do consumo, da habitação, e de combate contra a exclusão e contra a pobreza.

Conclusão de compromisso:

Não podemos baixar os braços na resignação. O trabalho a fazer é muito, e cada um de nós pode fazer um pouco, ou até muito. Pode, nomeadamente, participar e promover este movimento social, favorecendo a coerência entre os valores (justiça, equidade, solidariedade…) e a vida, e torná-lo mais visível e dinâmico. Comunicar é preciso!

Casa do Oeste, Agosto de 2008

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One Response to Partilhar – por um Mundo mais Justo…

  1. Olà amigos,
    que lindo trabalho que fazem juntos sobre este mundo que tanto precisa do nosso trabalho,
    concordo que cada um de nos se ocupasse um pouco, seria um mundo lindo tudo bom para vivermos …..cada dia o sol nasce e cada dia ele se deita , assim deviamos nos pençar no que deviamos fazer durante o dia para melhorar este mundo, sobre o ambiente podemos ter uma acção, sobre a justiça do trabalhador que tanto à a fazer , tentar ajudar, enfim tanto sobre a paz… e saber partilhar .
    cada um de nos temos um don então temos de utilizar para caminhar juntos e partilhar com outros esta é a minha maneira de compreender ser Cristão dos dias de hoje
    Um abraço
    Lucilia Baptista

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