Julho 19, 2014

Convite-50anos-2


A FÉ ATUA PELA CARIDADE – 17 DE MAIO

Maio 4, 2014

Cartaz-vigararia-2014


FESTA DA CASA DO OESTE E FESTA DO CONCÍLIO

Maio 3, 2013

A Fundação João XXIII/Casa do Oeste e os Movimentos rurais da Ação Católica (ACR, JARC, ACN) vão celebrar na Festa da Casa do Oeste, não só a Festa da Família Rural com a Bênção dos Campos, mas também este ano de um modo especial, os 50 anos do Concílio Vaticano II.

É sempre no domingo da Ascensão que este ano terá lugar a 12 de Maio.

Ao longo deste ano os grupos tem vindo a refletir alguns documentos saídos do Concílio, pois continuam desconhecidos e estão muito actuais. Essa caminhada de reflexão vai  culminar duma forma festiva na Festa da Casa do Oeste.

A festa, tendo como pano de fundo o Concílio, será divida em dois tempos fortes. De manhã a partir das dez horas haverá um colóquio onde será abordado o Concílio na vertente de dois dos seus documentos, a saber, a Gaudium et Spes – sobre a Igreja no mundo de hoje e a Apostolicam Actuositatem – sobre o papel dos leigos.

Após este colóquio será a celebração da Eucaristia às 11.30 horas

O segundo tempo é de animação cultural, a decorrer após o almoço,  com diversas atividades e onde diversos grupos da ACR apresentarão de uma forma festiva/lúdica a sua reflexão sobre os documentos do Concílio.

Um dos objectivos da Festa, para além da formação, do convívio, do reencontro de muitos é o de angariar receitas para que a Casa do Oeste se mantenha em funcionamento e possa continuar a cumprir os propósitos de servir a todos.


Partilhar – por um Mundo mais Justo…

Agosto 16, 2008

Conclusões da 33ª Semana de Estudos da Acção Católica Rural do Patriarcado de Lisboa

Durante cinco dias ouvimos, conversámos, reflectimos em conjunto e constatamos que:

  1. Nunca houve tanta riqueza no mundo como nos dias de hoje, mas o número de pobres continua a ser assustador. A sociedade em geral e os cristãos em particular não podem ignorar esta realidade e sobre a qual é importante agir.
  2. A pobreza afecta, em maior ou menor grau, a generalidade dos países, e as suas causas estão relacionadas com (in)capacidade de organização. A existência ou não de organização pode ser vista a diferentes níveis que vai do pessoal, ao familiar, à comunidade, ao país e ao nível mundial. Da mesma forma, a compreensão e discussão de soluções para a pobreza pode e deve ser encarada nesses diferentes níveis ou escalas de actuação.
  3. O actual estilo de vida dos países mais ricos tem sido efectuado muitas vezes à custa dos países mais pobres. Em muitos casos, o chamado progresso económico e tecnológico é efectuado sem atender às consequências sociais e aos efeitos sobre o ambiente, consumindo de forma irracional os recursos do planeta no seu todo e comprometendo a própria vida humana no presente e no futuro.
  4. O modelo económico actual permite esquemas subversivos do seu próprio funcionamento, como seja o uso e abuso da especulação. Assim, os que possuem mais dinheiro usam-no para reter armazenados bens essenciais à vida de outros, encarecendo, no curto e longo prazo, bens alimentares e outros, contribuindo para o agravamento da pobreza e do fosso entre os países mais ricos e os mais pobres.
  5. A economia solidária tem que ser reinventada. De facto, já existe por todo o mundo experiências positivas muito significativas que procuram contrariar a lógica consumista e imediatista que vem sendo adoptada desde o século passado. A capacidade crítica é cada vez mais necessária para não nos deixarmos envolver pelas teias que a publicidade e os esquemas montados pelos grandes grupos nos querem incutir, com promessas de vida e felicidade fácil.
  6. Um novo século estamos a viver, e novas soluções são necessárias. Pertencemos ao maior movimento mundial, mas não estamos conscientes disso porque ainda não estamos suficientemente organizados. Pertencemos ao movimento social dos que acreditam na solidariedade e na importância de revermos os nossos estilos de vida, para que outros possam de facto melhorar as suas condições de vida…A relação entre diminuição da pobreza e a protecção do ambiente e dos recursos naturais é um facto sobre o qual temos vindo a ganhar consciência, e que nos interpela individualmente e enquanto sociedade.
  7. Os recursos do planeta não são suficientes para manter o padrão de vida das sociedades de consumo e em simultâneo erradicar a pobreza nos países africanos e asiáticos. Mudar é preciso, reciclar é importante, racionar é necessário, reinventar é urgente.

Denúncias que queremos efectuar:

  • apenas um quinto do capital existente no mundo é utilizado para produzir riqueza, o restante é usado em negócios especulativos;
  • alguns progressos tecnológicos, como seja o cultivo de produtos transgénicos, apresentam enormes prejuízos sociais e ambientais. Grande parte dos consumidores não tem sequer conhecimento dessa situação.

Alguns projectos/ideias que queremos ajudar a ampliar:

  • a rede de estabelecimentos do comércio justo e de produtos biológicos;
  • a rede de Movimentos e Associações que promovem o desenvolvimento integrado e o equilíbrio ambiental;
  • a rede de grupos/instituições de voluntariado nos mais diversos sectores, como seja na área do consumo, da habitação, e de combate contra a exclusão e contra a pobreza.

Conclusão de compromisso:

Não podemos baixar os braços na resignação. O trabalho a fazer é muito, e cada um de nós pode fazer um pouco, ou até muito. Pode, nomeadamente, participar e promover este movimento social, favorecendo a coerência entre os valores (justiça, equidade, solidariedade…) e a vida, e torná-lo mais visível e dinâmico. Comunicar é preciso!

Casa do Oeste, Agosto de 2008


Uma Europa de Valores

Junho 20, 2008

Mais uma vez, a União Europeia foi despertada do seu adormecimento institucional pelos cidadãos. Neste caso, o «Não» da Irlanda tem um impacto que ultrapassa, em muito, o âmbito nacional, podendo colocar em risco o Tratado de Lisboa de que os governantes portugueses tanto se orgulham. Os cidadãos europeus parecem ser um problema para quem lidera a União e está, muitas vezes mergulhado em questões menores ou demasiado virado para si mesmo: quando os europeus não participam, há queixas do seu alheamento; quando participam, são pouco dóceis aos desígnios comunitários e têm o mau hábito de se lembrarem dos problemas com que convivem no seu dia-a-dia e castigarem quem comanda os seus destinos.

“Bruxelas” está a deixar de ser o símbolo de paz e unidade europeias para passar a ser uma espécie de papão para as faixas da população mais desprotegidas. Se quiserem ser levados a sérios, os mentores desta nova Europa (reunificada, para os políticos; reconciliada, para a Igreja) têm de estar atentos às necessidades concretas das populações que são chamados a servir – esse fim nobre da política que cada vez mais parece mais esquecido…

Enquanto a vida passa lá fora e a União discute sobre o que há-de fazer com os seus documentos, o preço do petróleo não pára de aumentar, as greves e as manifestações de descontentamento multiplicam-se, a crise alimentar adensa as nuvens negras no horizonte. O papão não será o culpado de tudo, mas tem de fazer mais para esclarecer e ajudar os habitantes deste Velho Continente, uma referência para todo o mundo.

A Europa dos 27 precisa de redescobrir-se, nos valores que lhe deram origem e nas intuições que fundamentam esses valores, de forma a querer ser “seguida” pelos seus e pelo mundo. Negligenciar este património é comprometer o futuro deste projecto político.

Neste contexto, é impossível neglicenciar a importância do diálogo com a sociedade civil e com as confissões religiosas. A presença da Igreja neste continente é um dado incontornável, visível na construção dos valores que moldaram a Europa e, pelo seu património cultural, praticamente nas ruas de cada cidade.

O diálogo com o passado tem neste campo dos Bens Culturais da Igreja um desafio particular, simbólico. Vale a pena investir naquilo que distingue a nossa casa e nos ajuda a reconhecê-la.

Octávio Carmo in Agência Ecclesia

Temos de ser coerentes.

Não nos podemos queixar da falta de participação dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, queixarmo-nos porque houve participação.

Os responsáveis pela UE, vivendo obcecados pelos documentos, esquecem-se do principal, do fundamental: os VALORES CRISTÃOS que unem os europeus e que estão na base da construção desta ideia “EUROPA”, desta realidade incontornável que é a “UNIÃO EUROPEIA”.

Não basta repetir o Referendo na Irlanda e seguir em frente. É preciso reflectir a sério nesta Casa Europa que, colectivamente, queremos ser… mas se nos esquecermos da ROCHA FIRME em que ela se fundou, será uma CASA que corre sempre o risco de ruir, de desmoronar…

Quem tem ouvidos que oiça…


INOVAÇÃO – OU O RETORNO REAL

Abril 18, 2008

1. Trilogia virtuosa

A condição necessária da vida é a mudança. Dito de outro modo: o que não muda, morre. E como a reformulação das evidências pode escapar ao fastidio dos lugares comuns – eis o novo paradigma do discurso de políticos, consultores e comentaristas: inovação!

Que misterioso dom ou estranha fecundidade habita a terceira mezinha da trilogia da moda? O que liga em si – ou distingue as respectivas naturezas numa convergência virtuosa – a inovação, a produtividade e a competitividade?

Aplicadas ao universo específico do desempenho das economias, diferem, obviamente: a produtividade mede eficiências; a competitividade avalia a eficácia; a inovação confere a ambas a vitalidade que alimenta os correspondentes processos de melhoria. E como não há hierarquias onde divergem as naturezas, é claro que a eficácia dos confrontos (competitividade) só é possível num quadro de eficiência das operações (produtividade), sendo que a atmosfera propícia ao crescimento de ambas deve ser renovada pelo pulsar da mudança que atrai o novo e não apenas o que é diferente. É a incessante aventura da criatividade!

Se, para crescer, é preciso mudar – não é óbvio que toda a mudança implique crescimento. Mas o que é, afinal uma mudança virtuosa – chamemos-lhe inovação – no quadro das realidades que integram a actividade económica? De outro modo: face ao painel de opções que confrontam o gestor na tarefa permanente de garantir as condições de vida da empresa ou empresas que lhe cumpre dirigir, como impregnar no referido painel as escolhas que apliquem virtuosamente a ideia – no caso a dita inovação – identificada como chave do sucesso?

Sem cuidar de discutir em que limites é razoável identificar o crescimento como medida do sucesso, há-de reconhecer-se que a vida saudável de uma empresa (ou de outra qualquer organização) radica muitas vezes em mudanças (inovações) que não conduzem ao crescimento físico mas a transformações de outra natureza que vão sendo forjadas nas respostas sucessivas à crescente probabilidade de morrer… Inovar significa, portanto, potenciar transformações – que podem, ou não, significar crescimento. Aplicado ao governo das organizações – empresariais ou outras – transformar significa introduzir alterações na selecção e ordenamento dos recursos e circuitos, na definição e design dos produtos, nas tecnologias dos processos de criação, produção ou comercialização que permitam gerar diferenças – que apenas serão virtuosas se se traduzirem em vantagens.

2. Inovação e solidariedade

A questão da inovação, no plano nacional, inscreve-se, como muitas outras, no quadro da solidariedade: disposição, directriz, empenho permanente nas tarefas de que ninguém está dispensado, seja no que se refere ao Estado e à sua administração, seja no que respeita à sociedade civil. De facto, as aplicações práticas desta disposição e empenho deveriam conduzir a uma disciplina de relações ordenadas ao privilégio do interesse nacional, sendo certo que não há inovação que valha se as políticas públicas – administração do Estado, ensino e formação profissional, saúde e protecção social, economia, justiça e fiscalidade – continuarem a ignorar o imperativo da solidariedade: o poder político e a sua administração não podem constituir-se em super estrutura pública cada vez mais afastada da vida real, refugiando-se no reduto de um poder cada vez mais absoluto que seca as fontes da criatividade e da esperança.

Uma outra grande inovação que é urgente introduzir no desempenho nacional, passa simplesmente por adequar o discurso político, alimentado pela arenga de “sábios encartados” transvestidos de consultores, comentadores e similares, à realidade do país. A não ser assim, continuaremos a suportar infindáveis e vazias orações de sapiência, insuportáveis análises iluminadas pela “objectividade” de gráficos e quadros estatísticos produzidos por outros brilhantes teóricos de teses e modelos – e não sairemos da cepa torta pela singular razão de que não existe coincidência mínima entre os modelos analíticos dos “especialistas” e a incontornável e triste realidade da nossa amarga sobrevivência.

Não há inovação que possibilite o crescimento de uma economia regular que entrega mais do que a riqueza que pode produzir à avidez sem limites de um Estado que parece conviver, sem sobressaltos, com uma crescente actividade económica subterrânea. Inovar aqui, seria simplesmente obrigar o poder político e a administração que tutela a cumprir o dever de assegurar uma justa distribuição dos custos nacionais, identificando e punindo exemplarmente todos os que criminosamente fogem ao dever de solidariedade nacional, antes de executar os que, não fugindo, simplesmente não podem pagar o que o Estado lhes exige.

3. Para inovar – desmistificar!

A uma economia exausta não se pode pedir que inove. Para isso, sobra-lhe em angústia o que lhe falta em recursos, confiança e vigor. Não havendo economia sem empresas, em nome de que “inovação” o Estado persiste na incansável cruzada de secar as tesourarias esvaídas, cobrando impostos sobre proveitos fictícios e perpetuando pagamentos especiais por conta… de mortes anunciadas? Que sustentabilidade é possível para o sistema de segurança social num quadro fiscal que incentiva o desemprego porque vai eliminando empresas? Em nome de que “disciplina de Bruxelas” ou “efeitos da globalização” é justificável que as aquisições dos organismos do Estado privilegiem empresas e grupos financeiros em prejuízo de fornecedores nacionais? Será apenas porque, em muitos casos, os preços são mais baixos por efeito da não afectação do IVA, acrescendo outras facilidades proporcionadas por políticas de incentivo real às exportações, baseadas em regimes fiscais, esses sim, inovadores e inteligentes?

Enfim, como é possível persistir na mentira oficiosa que consagra a responsabilidade das empresas nacionais na fragilidade da nossa economia, quando é sabido que, entre muitas outras agressões, são obrigadas a suportar os custos dos benefícios com que o Estado português presenteia os grupos estrangeiros que se instalam no país a troco de vantagens inacessíveis aos nacionais? Vivemos todos uma grande mistificação: a dos discursos ocos que pretendem substituir as orientações estratégicas que não há por slogans que apenas alimentam ilusões. E a realidade aqui tão perto…!

J. Guia


O NOSSO POETA!

Abril 15, 2008

Começamos o nosso Blog fazendo uma justa homenagem ao nosso companheiro António Batalha, natural da Achada, operário, agricultor e oleiro mas, para nós, um exemplo do ser cristão e um apaixonado pela poesia.

Foi militante activo dos movimentos da Acção Católica desde os 13 anos e, entre outras tantas iniciativas e instituições, acompanhou O Congresso dos Cristãos do Oeste, realizado nos anos de 1996 e 1997. O António Batalha sempre connosco partilhou a ideia de que aquele congresso deveria ter uma sequência e, uma delas é este Núcleo de Diálogo Social de que fez parte desde o seu início, em 2001, até falecer em 10 de Junho de 2007. Deixou-nos o seu exemplo, muitos poemas, alguns livros e uma casa: a CASA DO POETA.

Casa onde podemos ver e viver a sua vida, os seus sonhos, a sua arte e a sua poesia. Fica na Rua da Amendoeira, Sobreiro – Mafra. Está aberto às sextas, sábados e domingos, das 9h30 às 20h00. O contacto é 261 814 549.

No primeiro aniversário da sua morte, 10 de Junho, vai ser lançado o seu último livro, numa sessão que começa na “CASA DO POETA”, das 15 às 16h. Depois passa-se para a Associação Polivalente do Sobreiro (a 150 m).

Deixamo-vos um dos seus muitos poemas:

NO CAMINHO A PERCORRER

Fui andando investigando
dia a dia confrontando
num clima de incerteza,
com um sentido profundo
atento aos clamores do mundo
e às expressões da Natureza.
Li obras de pensadores
escutei mestres e doutores
e gente que não sabe ler,
em todos há uma janela
pela qual se revela
a fonte de todo o saber.
Escutei crentes e ateus
que sobre a questão de Deus
se afirmam discordantes,
ouvi muitas discussões
conferências e sermões
com sentimentos distantes.
Ao olhar esta montanha
onde o mundo se emaranha
sinto que não estou em vão,
descobri quem me enviou
e que a Vida onde estou
é uma casa em construção.
Sou um simples habitante
chamado a ser operante
nesta Casa em que acredito,
ser a essência querida
a grande Casa da Vida
a Casa do Infinito.
António Batalha (N. 8/12/1930; F. 10/06/2007)