CONSEQUÊNCIAS DO AUMENTO DE PREÇO DOS CEREAIS

Maio 17, 2008

Os países asiáticos, particularmente a China, ao produzirem toda aquele imensidão de produtos que enchem as conhecidas “ lojas dos trezentos”, espalhadas pelo mundo inteiro, levou a que milhões de agricultores abandonassem o cultivo da terra e fossem para a indústria, na procura de melhor vida. Porém, esta saída massiva de pessoas do sector primário para a indústria levou a que, designadamente, as produções mundiais de arroz, milho e trigo tivessem decrescido, o que ocasionou uma diminuição substancial dos stoks mundiais daqueles produtos, pelo que, sendo a procura superior à oferta, é uma inevitabilidade o seu aumento.
Os organismos internacionais estão já muito preocupados com a situação e alertam para a necessidade urgente de se tomarem medidas, a nível internacional e nacional, de modo que possa ser evitado o flagelo da fome nos países mais pobres do planeta, muitos deles situados no Continente Africano.
No caso específico da Guiné-Bissau, que conhecemos bem, vemos com preocupação este aumento substancial do preço do arroz, produto que é a base da alimentação do seu povo, temendo mesmo que muita, mas mesmo muita gente, não consiga sequer os meios para ter uma refeição diária, o que é trágico, especialmente para as crianças.
Face a esta realidade que, à primeira vista, parece transcender-nos, a pergunta é inevitável. Que podemos nós fazer face a um problema de âmbito mundial?!…
Eu entendo que existem, pelo menos, três aspectos em que cada um de nós pode fazer alguma coisa, e que são os seguintes:

  1. Evitar gastar dinheiro na compra de bens e produtos perfeitamente dispensáveis;
  2. Prestar renovada atenção aos casos de pobreza, que podem estar mesmo ao nosso lado, partilhando alguma coisa nossa, por exemplo com as campanhas do Banco Alimentar contra a Fome, ou com as campanhas de solidariedade com a Guiné e outros países africanos, etc…
  3. Ir pensando no uso que damos aos terrenos que herdamos de nossos pais, uma boa parte deles certamente abandonados desde a data em que os recebemos, porque é sempre bom não nos esquecermos de que a terra é de todos e não apenas nossa, pelo que o seu uso deve ter em conta a perspectiva universalista dos bens.

Como cristãos que somos não podemos, de forma nenhuma, passar ao lado desta questão, desculpando-nos com a nossa incapacidade e pequenez para fazer alguma coisa, e como militantes da Acção Católica Rural é bom não nos esquecermos de que a área do Social foi assumida pelo Movimento como preocupação do ano.

Jacinto Filipe

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