Países emergentes reclamam maior participação no sistema financeiro global

Novembro 9, 2008

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A poucos dias da cimeira do G20 em Washington, levantam-se as vozes dos países emergentes.

Na reunião dos ministros das Finanças e dos governadores dos Bancos Centrais, em São Paulo, o presidente brasileiro pediu uma séria reforma do sistema financeiro, bem como uma maior participação das economias em desenvolvimento nas decisões financeiras mundiais. Lula da Silva deixou bem claro que os países conhecidos como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) não querem ter um papel secundário no teatro financeiro global.

O presidente do Banco Mundial concorda com o presidente brasileiro, mas diz que esta não é única modificação a fazer. “Tem-se falado de uma mudança do G7 e do G8 para um G20. Já falei da criação de um grupo de trabalho que inclua países como a China, Brasil, Rússia, Índia e México, mas estas não são as únicas alterações a fazer no sistema”, disse Robert Zoellick.

Uma dessas mudanças passa pelo papel do FMI no na ordem financeira mundial. Os países emergentes reclamam uma reforma do Fundo Monetário Internacional, com vista ao equilíbrio entre os países mais industrializados e as economias em desenvolvimento.

Fonte: EURONEWS


A CRISE DÁ PARA PENSAR

Outubro 18, 2008

1.- VER: Crise financeira e crise social, porquê ?

Estão postos em causa a dignidade da pessoa humana, o sentido da verdade e o sentido da vida, do sofrimento e da morte, a distinção entre o bem e o mal, e a harmonia entre a liberdade e a responsabilidade. Porém são pilares fundamentais estruturantes da sociedade a liberdade, a justiça, a solidariedade e a paz. Quando se cultiva a competição e o individualismo selvagem, deixa de haver moral por mais leis que se façam.

2.- Há entidades bancárias a aliciar pessoas e famílias para esquemas de crédito que, entre outras coisas, propõem adiantamento de salário ou compras a crédito com pagamento no final do mês apenas de uma parte e o restante a pagar mais tarde  sujeito a juros. É facilitismo pelo que pessoas e famílias se habituam a viver acima das suas posses. Promove-se um consumismo desenfreado e tantas vezes inútil.

3.- Muitas empresas têm estado a fechar , lançando milhares de pessoas no desemprego, sem encontrar resposta no mercado de trabalho.

4.- Quando o dinheiro, o lucro é o deus supremo é ele que domina as intenções das pessoas. É a planificação a curto prazo para obter rendimentos e são gestores que pouco se importam as consequências, favorecendo o compadrio, a cunha e a corrupção…

A miragem cega do lucro suscita formas ilícitas e anti-sociais de comércio como a droga, as armas, tráfico de pessoas, prostituição…e outras.

5.- REFLECTIR: A vida económica é um espaço de iniciativa, de troca, de eficiência tendo em conta que as pessoas, as empresas e os povos encontram aí o melhor modo de prover às necessidades de bens e de serviços. Não pode estar sujeita à cobiça e à ganância desenfreadas, ao poder e ao domínio de alguns gerando desigualdades tão profundas.

6.- O capital financeiro tem de ter uma correlação com o trabalho. É o trabalho que produz riqueza, que acrescenta valor. A autonomia do capital financeiro ou seja o aumento da riqueza que não resulta do esforço e do trabalho é um artifício que deu nesta crise. Não esqueçamos o que nos ensina S. Paulo: Quem quiser comer deve trabalhar. A Igreja tem aí um grande desafio que é ajudar as pessoas a não perder a esperança e a encontrar disponibilidade para trabalhos dignos e honestos

7.- O Bispo de Leiria-Fátima perante os peregrinos  falou da crise do sistema financeiro que é resultante de “uma crise de valores, de ausência de ética, transparência e justiça”. Acrescentou ainda que “esta crise do sistema financeiro não pode ser vista apenas como um mero mau funcionamento do mercado”.

8.- AGIR: Todos nós somos chamados a repensar o nosso modo de vida marcado por um consumismo desenfreado e vida dominada pelos interesses imediatos, pelos negócios e divertimentos de cada um. Quando o homem rejeita Deus e o expulsa da sua consciência, da sua vida e até dos espaços públicos, fica cada vez mais só e vazio.

9.- A ganância cega tem outros efeitos funestos que são os preocupantes problemas ecológicos: o buraco na camada de ozono, a poluição dos rios e mares e da atmosfera, a desertificação e alterações climatéricas.

10.- A degradação é da nossa responsabilidade. A nossa forma de proceder na utilização das coisas resulta da educação cívica dos adultos, jovens  e crianças. É nas famílias, desde cedo, que as crianças devem ser educadas para a protecção ambiental e a economia dos recursos. O futuro do planeta depende de cada um de nós e da educação que transmitimos às novas gerações.

É urgente actuar!

P. Batalha