CRISE? QUE CRISE?

Maio 12, 2009

crise, Crise, CRISE, CRISE ….

Todos falamos da crise! Todos temos muitas soluções para a crise! Todos somos entendidos em economia e finanças! Mas de que crise falamos? A crise dos poderosos ou a crise dos que há já muito tempo passam fome?…

E temos falado das injustiças? E temos falado da exploração? E temos falado das desigualdades? E temos falado da miséria? E temos falado da especulação? E temos falado da ganância? E temos falado da crise de valores? E temos falado da manipulação política da crise? E temos falado da demagogia? E temos falado dos oportunistas? E temos falado…

De que crise falamos?

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS… NÃO PODEMOS IGNORAR!


A Sustentabilidade da Crise

Janeiro 22, 2009

sustentabilidadeÉ tristemente notório que a economia portuguesa se distingue, no quadro europeu, por viver em crise permanente: porque estamos sempre em contra-ciclo e porque, ocorrendo coincidência de fases, o efeito é o de somar às nossas crónicas dificuldades os efeitos das dificuldades alheias. A mediática plateia doméstica dos preclaros analistas,  mentes luminosas na sua maioria instaladas na tranquila gestão de monopólios ou apenas
executivos avulsos de negócios globais,  surge de vez em quando para debitar sabedoria de catálogo, expressa em banalidades macro-económicas que toda a gente conhece. Não resolvem nem ajudam a resolver coisa nenhuma da economia real: porque essa não é a sua realidade e preocupação e, acontecendo esporadicamente sê-lo em algum caso, lhes falta normalmente a competência onde lhes sobram jactância e presunção.

É claro que a nossa situação não foi sempre esta, sendo forçoso e urgente detectar as causas que nos conduziram à aparente condenação de pobres tolerados num mundo de ricos aparentes. Uma nação que titulou projectos de alcance universal, que acompanhou, na vanguarda da cultura e da tecnologia, os movimentos sociais, políticos e económicos que, ao longo dos séculos, conformaram o mundo, escravizaram e libertaram homens,
criaram raças, forjaram nações, há-de guardar no património vivo das suas tragédias e glórias a mesma energia, o mesmo impulso criativo! Porquê, então, esta modorra descrente, este letargo doentio e trágico, esta apatia mortal em que parece mergulhada a velha nação portuguesa?!

José Guia

LER MAIS>>


A CRISE E OS POBRES

Dezembro 11, 2008

pao«As crises financeiras que se sucedem têm um efeito de cascata que afecta profundamente a economia mundial e as populações mais frágeis. Mostram que a finança é um factor chave da globalização».

Estas afirmações do Arcebispo de Rouen, Jean-Charles Descubes, Presidente do Conselho para as questões familiares e sociais da Conferência dos Bispos de França (homólogo, em relação à Conferência Episcopal Portuguesa, do Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social) iniciam o documento O carácter multifacetado das crises financeiras, publicado neste ano, que se segue a um outro, de 2005: Referências numa economia globalizada. Esta reflexão serviu de pano de fundo para os trabalhos da Comissão dos Assuntos Sociais da COMECE (estrutura das Conferências Episcopais da Europa comunitária em que, pela CNJP, muitas vezes tem participado o Prof. Alfredo Bruto da Costa) que, nos passados dias 8 e 9 de Outubro, promoveu uma reunião sobre «o futuro da protecção social e da política social na Europa», para a qual fui convidado como Secretário da Comissão Episcopal da Pastoral Social.

Partilho convosco algumas das questões debatidas, elencadas no final do referido documento:

  • A primeira é a questão dos mais pobres. Esta crise é tão injusta como o tipo de desenvolvimento dos últimos vinte anos. Transporta consigo as mesmas características negativas; mas ainda com uma maior violência, como é próprio das crises: aumenta as desigualdades! Uma vez mais, voltam a ser os pobres que mais sofrem. Como fazer para os proteger?

  • A subida das matérias-primas deveria favorecer os países produtores, alguns dos quais são países emergentes. Mas como organizar uma justa repartição das riquezas?

  • A vida humana está em questão quando se fala de bens destinados à alimentação. Dada a sua natureza, devem ser particularmente protegidos. Não se deveriam mesmo proibir certas actividades financeiras, para que eles não sejam objecto de especulação?

  • As crises financeiras questionam o nosso estilo de vida. É preciso rever as nossas políticas económicas e agrícolas. E, no que diz respeito ao nosso quotidiano, não podemos querer continuar a viver como se nada se passasse ao nosso lado: para quando a adopção de um modo de vida mais despojado, mais simples, mais conforme às exigências da solidariedade no mundo de hoje?

Uma última questão, tomo-a da palavra do Arcebispo Celestino Migliore, Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, numa reunião sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM): como é que se faz tudo para encontrar os fundos que podem salvar o sistema financeiro, enquanto parece impossível encontrar os que se destinam a uma intervenção eficaz no desenvolvimento de todas as regiões do mundo? «Permaneçam centrados nas prioridades do milénio!» – pedia o Arcebispo à ONU.

(Estabelecidos no ano 2000, os ODM deveriam ser cumpridos até 2015 e incluem compromissos para enfrentar a fome, os problemas de saúde materno-infantil, a SIDA, os desequilíbrios ambientais, as dificuldades na educação e as desigualdades).

P. José Manuel Pereira de Almeida
(assistente eclesiástico da Comissão Nacional Justiça e Paz)

CRISE = CATÁSTROFE se for administrada apenas por países ricos

Novembro 29, 2008

a703a9baea30f3ff6bf3f402bc5dfeadA Santa Sé advertiu que a crise financeira se converterá numa catástrofe se for administrada unicamente pelos países ricos. O aviso foi lançado pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente na sede da ONU em Nova York, um dia antes do início da Conferência promovida pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Doha, Qatar.

Após a reunião do G-20 de Washington, que buscou soluções a médio prazo para a crise dos mercados financeiros, o Fundo Monetário Internacional falou da possibilidade de uma nova catástrofe financeira.

«Temo-nos vindo a confrontar com uma crise financeira que poderá converter-se em catástrofe se não evitarmos os seus efeitos sobre outras crises: a económica, a alimentar, e a energética», explicou Dom Migliore aos microfones da Rádio Vaticano.

«Parece que é necessário um regresso decidido do sector público aos mercados financeiros; é necessário aumentar a coordenação e a união na busca de soluções; é necessário recuperar algumas dimensões básicas das finanças, ou seja, a primazia do trabalho sobre o capital, das relações humanas sobre as meras transacções financeiras, da ética sobre o critério da eficácia».

Ao mesmo tempo, pediu que se evite o processo de «financiamento da economia para adoptar critérios mais coerentes com a pessoa humana, que dirige e se beneficia da actividade financeira».

Por isso, conclui, o problema é ético.

«E havia muitas regras e códigos éticos antes da crise; o problema é que se dava uma grande impunidade a quem não os respeitava – declarou. É também uma questão de liderança, de autoridade moral dos governantes a todos os níveis, que têm a responsabilidade primária de proteger os cidadãos, sobretudo os trabalhadores, as pessoas normais que não têm a possibilidade de acompanhar a complicada engenharia financeira e que têm de ser defendidas dos enganos e dos abusos dos “entendidos”…»


Uma Europa de Valores

Junho 20, 2008

Mais uma vez, a União Europeia foi despertada do seu adormecimento institucional pelos cidadãos. Neste caso, o «Não» da Irlanda tem um impacto que ultrapassa, em muito, o âmbito nacional, podendo colocar em risco o Tratado de Lisboa de que os governantes portugueses tanto se orgulham. Os cidadãos europeus parecem ser um problema para quem lidera a União e está, muitas vezes mergulhado em questões menores ou demasiado virado para si mesmo: quando os europeus não participam, há queixas do seu alheamento; quando participam, são pouco dóceis aos desígnios comunitários e têm o mau hábito de se lembrarem dos problemas com que convivem no seu dia-a-dia e castigarem quem comanda os seus destinos.

“Bruxelas” está a deixar de ser o símbolo de paz e unidade europeias para passar a ser uma espécie de papão para as faixas da população mais desprotegidas. Se quiserem ser levados a sérios, os mentores desta nova Europa (reunificada, para os políticos; reconciliada, para a Igreja) têm de estar atentos às necessidades concretas das populações que são chamados a servir – esse fim nobre da política que cada vez mais parece mais esquecido…

Enquanto a vida passa lá fora e a União discute sobre o que há-de fazer com os seus documentos, o preço do petróleo não pára de aumentar, as greves e as manifestações de descontentamento multiplicam-se, a crise alimentar adensa as nuvens negras no horizonte. O papão não será o culpado de tudo, mas tem de fazer mais para esclarecer e ajudar os habitantes deste Velho Continente, uma referência para todo o mundo.

A Europa dos 27 precisa de redescobrir-se, nos valores que lhe deram origem e nas intuições que fundamentam esses valores, de forma a querer ser “seguida” pelos seus e pelo mundo. Negligenciar este património é comprometer o futuro deste projecto político.

Neste contexto, é impossível neglicenciar a importância do diálogo com a sociedade civil e com as confissões religiosas. A presença da Igreja neste continente é um dado incontornável, visível na construção dos valores que moldaram a Europa e, pelo seu património cultural, praticamente nas ruas de cada cidade.

O diálogo com o passado tem neste campo dos Bens Culturais da Igreja um desafio particular, simbólico. Vale a pena investir naquilo que distingue a nossa casa e nos ajuda a reconhecê-la.

Octávio Carmo in Agência Ecclesia

Temos de ser coerentes.

Não nos podemos queixar da falta de participação dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, queixarmo-nos porque houve participação.

Os responsáveis pela UE, vivendo obcecados pelos documentos, esquecem-se do principal, do fundamental: os VALORES CRISTÃOS que unem os europeus e que estão na base da construção desta ideia “EUROPA”, desta realidade incontornável que é a “UNIÃO EUROPEIA”.

Não basta repetir o Referendo na Irlanda e seguir em frente. É preciso reflectir a sério nesta Casa Europa que, colectivamente, queremos ser… mas se nos esquecermos da ROCHA FIRME em que ela se fundou, será uma CASA que corre sempre o risco de ruir, de desmoronar…

Quem tem ouvidos que oiça…


Países ricos não podem apropriar-se do que é dos países pobres

Maio 30, 2008

Num discurso aos novos embaixadores na Santa Sé de nove países (Tanzânia, Uganda, Libéria, Chade, Bangladesh, Belarus, República da Guiné, Sri Lanka e Nigéria), quinmta-feira, 29 de Maio, o Papa Bento XVI apelou  a que as relações internacionais se baseiem na justiça, na solidariedade e na fraternidade.

«Os países ricos não podem apropriar-se, por eles mesmos, do que procede de outras terras», advertiu em sua alocução em francês.

«A comunidade humana também está chamada a ir além da simples justiça, manifestando sua solidariedade aos povos mais pobres, com a preocupação de uma melhor distribuição das riquezas».

Segundo o Santo Padre, «a solidariedade e a fraternidade revelam, em definitivo, o amor fundamental que devemos dispensar ao nosso próximo, pois toda pessoa que tem uma responsabilidade na vida pública está chamada a fazer que sua missão seja, antes de tudo, um serviço a todos os seus compatriotas e, mais em geral, a todos os povos do planeta». LER MAIS (em francês)


Crise: apelo à reorientação

Maio 24, 2008

A crise da sociedade instalou-se no mundo e está a manifestar-se com doenças sociais graves. Começou com a degradação moral e agora vê-se a degradação social e económica… e corremos o risco de uma rebelião.

A ganância e ambição de uns desrespeitando outros geram desigualdades tremendas, pobreza e miséria, fome e morte. Os sintomas da crise social têm-se vindo a manifestar por ondas: crise da agricultura, crise da construção civil, crise do petróleo, crise alimentar… são cada vez mais os sintomas.

A escalada de preços dos combustíveis e dos alimentos é uma questão muito preocupante.

Porque não procuramos as causas dos problemas e as soluções para eles? LER MAIS…