«Um outro olhar» -POBREZA, SEGUNDO MENSAGEM PAPAL

Janeiro 8, 2009

dia-internacional-pazA Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro) intitulava-se «combater a pobreza, construir a paz». O documento começa por esclarecer que a pobreza não é só de ordem material, mas também «relacional, moral e espiritual». E salienta, nela, as seguintes dimensões: a) – os mal-entendidos sobre o crescimento da população; b) – as pandemias (como a malária, a tuberculose e a SIDA); c) – a pobreza das crianças; d) – as consequências negativas da corrida ao armamento; e) – e a crise alimentar,  agravando as situações das pessoas e dos povos mais pobres. Depois, a Mensagem expõe algumas «estradas mestras», ou linhas de acção, necessárias: a) – a «solidariedade global» e a redução das desigualdades, como alternativa à globalização egoísta; b) – a regulação do «comércio internacional e das transacções financeiras»; c) – uma cooperação internacional não «vincadamente assistencialista» e não só distributiva, mas também promotora da formação, da iniciativa e do trabalho das pessoas e dos povos mais pobres; d) – e atribuição de toda a prioridade aos pobres e à acção da sociedade civil, a par do Estado e do mercado. O documento realça o «amor preferencial pelos pobres» que, para os cristãos, deverá ser visto «à luz do primado da caridade testemunhado por toda a comunidade cristã a partir dos primórdios da Igreja». Recomenda que a «Comunidade Cristã» dê «o seu apoio à família humana inteira nos seus impulsos de solidariedade criativa, tendentes não só a partilhar o supérfluo, mas sobretudo  a alterar os «estilos de vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades» (João Paulo II, «Centesimus Annus», nº. 58).

Como bem se compreende, a Mensagem papal não aborda a questão da governabilidade para que sejam tidas em conta as suas propostas; estas, aliás e em geral, têm sido defendidas, felizmente, por muitas outras entidades. Também não explicita os tipos de organização e de acção recomendáveis para que os cristãos concretizem as orientações preconizadas. Isso depende, naturalmente, de cada um, dos seus grupos e instituições, bem como das paróquias, das dioceses e das estruturas de âmbito nacional e internacional. Entretano, D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, adianta algumas hipóteses de concretização, num texto difundido como comentário à Mensagem. Sublinho a proposta de multiplicação de «grupos de reflexão criadores de nova mentalidade» e promotores de intervenção social.

Na linha desta recomendação, parece recomendável que os grupos promovam: a) – a análise dos problemas das respectivas localidades; b) – o confronto entre esses problemas e as possibilidades de solução; c) – iniciativas tendentes às respostas necessárias; d) – e a participação na vida colectiva. Enquanto isto não acontecer, é muito discutível que os cristãos estejam à altura das responsabilidades…

Acácio F. Catarino