Sem solidariedade e justiça social não há paz

Junho 25, 2008

O cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa (Honduras) e presidente da Cáritas Internacional, foi recebido em audiência por Bento XVI nesta terça-feira de manhã, com outros bispos hondurenhos por ocasião da sua visita ad limina apostolorum ao Papa e à Cúria romana.

Em entrevista concedida à «Rádio Vaticano», discutiu os desafios da América Latina e do seu país em particular. Referiu-se especialmente à emigração, declarando que «a solução não está em construir muros, mas em ajudar os países pobres».

«Ninguém emigra por prazer, mas por necessidade. Quando os jovens não encontram trabalho, necessariamente têm de buscá-lo em outro lugar, se não quiserem entrar no circuito das drogas.»

«Estamos convencidos de que a comunidade internacional tem de reconhecer que o desenvolvimento não pode excluir ninguém e que a solidariedade e a justiça devem prevalecer. Sem solidariedade e justiça social, de facto, é difícil que haja paz.»

Apesar de «elementos positivos e sinais de esperança», o purpurado cita «os problemas e as questões mais difíceis» da América Latina e, em particular, das Honduras, «como o aumento dos pobres, devido sobretudo ao aumento do preço do petróleo e dos produtos de primeira necessidade».

«O cancelamento da dívida externa tão pouco criou os pressupostos para o relançamento do país. Em parte, porque o dinheiro é empregado na compra de combustível, indispensável para a produção energética», denunciou.

Junto a estes desafios, o cardeal considera que nas Honduras as dificuldades das famílias constituem «a prioridade» da Igreja.

Neste contexto, o cardeal considera que «é necessário um esforço de evangelização para que a Doutrina Social da Igreja possa chegar a todos os lugares, inclusive ao âmbito político-institucional».

«Quando se alcança cargos de poder, parece que se esquece do bem comum. Onde há pobreza, também se dá a tentação do dinheiro fácil e o narcotráfico penetra.»

Fonte: ZENIT

Anúncios

D. Saraiva Martins considera fome o “maior escândalo” da actualidade

Maio 12, 2008

O cardeal Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, considerou ontem (dia 11 de Maio) em Fátima que a fome é o “maior escândalo” do mundo moderno, apontando as desigualdades sociais como a sua causa.

“A fome é o maior escândalo das sociedades contemporâneas”, afirmou o cardeal, que preside até terça-feira às celebrações em Fátima, considerando que a possibilidade da escassez de alimentos devido à crise alimentar como uma “realidade triste e vergonhosa”.

“Nesta sociedade opulenta há milhões que vivem com fome” sem qualquer resposta adequada, considerou o cardeal, que defende uma “redistribuição social dos bens” produzidos, em vez da excessiva concentração para os mais ricos.

“Todos os homens têm o dever de ter uma vida digna” mas isso não sucede porque “na origem de tudo isto há a perda de certos valores como o valor da igualdade humana”, considerou o cardeal.

A Igreja tem defendido uma “distribuição mais justa dos bens da terra” mas o “campo dela não é o campo dos políticos” e “não pode ir mais além”.

“Enquanto houver certas injustiças, os conflitos existirão sempre”, disse o cardeal, que defende “mais respeito pelo homem” até porque “não é o dinheiro que resolve os problemas”.

Nem “toda a riqueza possível e inimaginável vai resolver o problema” do mundo sem que haja “respeito pelo homem na sua integridade”, acrescentou o cardeal.

(in Lusa, PJA, 11.05.08 – Foto RR)