PROJECTO “IGREJA SOLIDÁRIA”

Abril 27, 2009

Em cada Paróquia um Grupo de Acção Social.

O Cardeal Patriarca, na 6ª feira passada, dia 17, convocou, para o Centro  Diocesano de Espiritualidade, os Párocos, levando cada um consigo um leigo, para um Encontro sobre a acção sócio-caritativa como resposta à crise. Fez a apresentação e debate dum Projecto “Igreja Solidária“; para reforçar a capacidade da Igreja Diocesana dar resposta às novas situações da crise. Estamos conscientes de que a actual crise económico-financeira está a gerar graves situações sociais. Porém, também devemos estar conscientes de que a crise financeira é uma crise da sociedade que pôs o dinheiro acima de tudo: dinheiro por cima do amor, da vida em comunidade e da sustentabilidade do nosso planeta. Promoveu-se o consumo e agora abandonam-se milhões de consumidores na ratoeira das suas dívidas. Valorizou-se mais os lucros do capital, mais do que o direito à habitação, à educação e à saúde. Por meio de taxas de juros, comerciantes de dinheiro sem escrúpulos, aí estão hoje condenados por milhões de pessoas – roubadas do seu dinheiro, das suas reformas, das suas casas e do seu futuro. Geraram uma trágica crise do sistema financeiro mundial.  Uma vez que o sistema faliu, não há que remendar. Há que criar outras instituições, com novos objectivos, novos meios, novas regras que respeitem a dignidade das pessoas e dos povos.

Neste encontro afirmou-se que esta falência do sistema foi gerada pela ganância: “a avidez excessiva do lucro e a sede do poder…a qualquer preço” (SRS 37).Temos de mudar. Temos de mudar o estilo de vida – mudar é preciso, escrevia-vos eu em Fevereiro, no Farol 25. Perante as falências financeiras, encerramento de empresas às centenas, consequente aumento do desemprego e da fome, o Sr Patriarca com o Departamento da Pastoral Sócio-Caritativa, apresentou, à apreciação, o Projecto “Igreja Solidária“. Em vez de lamentações temos de arregaçar as mangas e meter mãos ao trabalho. Esta crise é uma oportunidade para mudarmos de estilo de vida. Temos de mudar hábitos culturais e cultuais, quer dizer que se estávamos habituados a comprar coisas de marca, temos de o deixar de fazer e em vez de trocarmos de coisas (por ex., carro, fatos, etc…) tão repetidamente, temos de o fazer, só quando, já estiverem gastas. Não podemos fazer todas as vontades aos meninos, alimentando facilitismos aos filhos, mas há que dar-lhes referências do bem comum, da fraternidade, da justiça, do respeito e da verdade…dos valores que dignificam as pessoas e a sociedade.

Com o Projecto, as Paróquias devem estimular a criação de respostas imediatas.  Para isso todas as Paróquias devem ter Grupos de Acção Social. São eles que  proporcionam o primeiro conhecimento. Cabe-lhes fazer um levantamento das situações, especialmente as da pobreza envergonhada que exige muita delicadeza e discrição e o primeiro contacto com os «casos sociais»;é a partir deles que se efectua o  primeiro apoio; eles são mediadores junto de outras entidades; e são também eles que efectuam o acompanhamento de cada «caso» até se alcançar uma solução satisfatória. Através deles, os cristãos, à semelhança do «Bom Samaritano»,  podem realmente ser «próximos» de quem precisa.

P. Batalha

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Agosto 16, 2008

Conclusões da 33ª Semana de Estudos da Acção Católica Rural do Patriarcado de Lisboa

Durante cinco dias ouvimos, conversámos, reflectimos em conjunto e constatamos que:

  1. Nunca houve tanta riqueza no mundo como nos dias de hoje, mas o número de pobres continua a ser assustador. A sociedade em geral e os cristãos em particular não podem ignorar esta realidade e sobre a qual é importante agir.
  2. A pobreza afecta, em maior ou menor grau, a generalidade dos países, e as suas causas estão relacionadas com (in)capacidade de organização. A existência ou não de organização pode ser vista a diferentes níveis que vai do pessoal, ao familiar, à comunidade, ao país e ao nível mundial. Da mesma forma, a compreensão e discussão de soluções para a pobreza pode e deve ser encarada nesses diferentes níveis ou escalas de actuação.
  3. O actual estilo de vida dos países mais ricos tem sido efectuado muitas vezes à custa dos países mais pobres. Em muitos casos, o chamado progresso económico e tecnológico é efectuado sem atender às consequências sociais e aos efeitos sobre o ambiente, consumindo de forma irracional os recursos do planeta no seu todo e comprometendo a própria vida humana no presente e no futuro.
  4. O modelo económico actual permite esquemas subversivos do seu próprio funcionamento, como seja o uso e abuso da especulação. Assim, os que possuem mais dinheiro usam-no para reter armazenados bens essenciais à vida de outros, encarecendo, no curto e longo prazo, bens alimentares e outros, contribuindo para o agravamento da pobreza e do fosso entre os países mais ricos e os mais pobres.
  5. A economia solidária tem que ser reinventada. De facto, já existe por todo o mundo experiências positivas muito significativas que procuram contrariar a lógica consumista e imediatista que vem sendo adoptada desde o século passado. A capacidade crítica é cada vez mais necessária para não nos deixarmos envolver pelas teias que a publicidade e os esquemas montados pelos grandes grupos nos querem incutir, com promessas de vida e felicidade fácil.
  6. Um novo século estamos a viver, e novas soluções são necessárias. Pertencemos ao maior movimento mundial, mas não estamos conscientes disso porque ainda não estamos suficientemente organizados. Pertencemos ao movimento social dos que acreditam na solidariedade e na importância de revermos os nossos estilos de vida, para que outros possam de facto melhorar as suas condições de vida…A relação entre diminuição da pobreza e a protecção do ambiente e dos recursos naturais é um facto sobre o qual temos vindo a ganhar consciência, e que nos interpela individualmente e enquanto sociedade.
  7. Os recursos do planeta não são suficientes para manter o padrão de vida das sociedades de consumo e em simultâneo erradicar a pobreza nos países africanos e asiáticos. Mudar é preciso, reciclar é importante, racionar é necessário, reinventar é urgente.

Denúncias que queremos efectuar:

  • apenas um quinto do capital existente no mundo é utilizado para produzir riqueza, o restante é usado em negócios especulativos;
  • alguns progressos tecnológicos, como seja o cultivo de produtos transgénicos, apresentam enormes prejuízos sociais e ambientais. Grande parte dos consumidores não tem sequer conhecimento dessa situação.

Alguns projectos/ideias que queremos ajudar a ampliar:

  • a rede de estabelecimentos do comércio justo e de produtos biológicos;
  • a rede de Movimentos e Associações que promovem o desenvolvimento integrado e o equilíbrio ambiental;
  • a rede de grupos/instituições de voluntariado nos mais diversos sectores, como seja na área do consumo, da habitação, e de combate contra a exclusão e contra a pobreza.

Conclusão de compromisso:

Não podemos baixar os braços na resignação. O trabalho a fazer é muito, e cada um de nós pode fazer um pouco, ou até muito. Pode, nomeadamente, participar e promover este movimento social, favorecendo a coerência entre os valores (justiça, equidade, solidariedade…) e a vida, e torná-lo mais visível e dinâmico. Comunicar é preciso!

Casa do Oeste, Agosto de 2008