CRISE = CATÁSTROFE se for administrada apenas por países ricos

Novembro 29, 2008

a703a9baea30f3ff6bf3f402bc5dfeadA Santa Sé advertiu que a crise financeira se converterá numa catástrofe se for administrada unicamente pelos países ricos. O aviso foi lançado pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente na sede da ONU em Nova York, um dia antes do início da Conferência promovida pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Doha, Qatar.

Após a reunião do G-20 de Washington, que buscou soluções a médio prazo para a crise dos mercados financeiros, o Fundo Monetário Internacional falou da possibilidade de uma nova catástrofe financeira.

«Temo-nos vindo a confrontar com uma crise financeira que poderá converter-se em catástrofe se não evitarmos os seus efeitos sobre outras crises: a económica, a alimentar, e a energética», explicou Dom Migliore aos microfones da Rádio Vaticano.

«Parece que é necessário um regresso decidido do sector público aos mercados financeiros; é necessário aumentar a coordenação e a união na busca de soluções; é necessário recuperar algumas dimensões básicas das finanças, ou seja, a primazia do trabalho sobre o capital, das relações humanas sobre as meras transacções financeiras, da ética sobre o critério da eficácia».

Ao mesmo tempo, pediu que se evite o processo de «financiamento da economia para adoptar critérios mais coerentes com a pessoa humana, que dirige e se beneficia da actividade financeira».

Por isso, conclui, o problema é ético.

«E havia muitas regras e códigos éticos antes da crise; o problema é que se dava uma grande impunidade a quem não os respeitava – declarou. É também uma questão de liderança, de autoridade moral dos governantes a todos os níveis, que têm a responsabilidade primária de proteger os cidadãos, sobretudo os trabalhadores, as pessoas normais que não têm a possibilidade de acompanhar a complicada engenharia financeira e que têm de ser defendidas dos enganos e dos abusos dos “entendidos”…»

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FIAT PANIS – Que haja pão!

Novembro 28, 2008

paoA Santa Sé pediu a reforma da Organização das Nações Unidas para AgriculturaAlimentação (FAO), para que todos possam contar com o «pão de cada dia». Esta foi a proposta que Dom Renato Volante, chefe da delegação da Santa Sé na 35ª sessão especial da Conferência da FAO, apresentou na sua intervenção publicada nesta quinta-feira pela Santa Sé.

Segundo informaram representantes da FAO na reunião, o aumento do preço dos alimentos no último ano aumentou em 75 milhões o número de pessoas que passam fome no mundo, alcançando um número total de 923 milhões de pessoas. Na América Latina e no Caribe, a população de famintos aumentou em seis milhões de pessoas, elevando o número para 51 milhões.

A reunião extraordinária da FAO aprovou, em 22 de Novembro, um Plano de Acção imediato para reforçar a sua importância global e eficácia, com um orçamento de 42,6 milhões de dólares.

Na sua intervenção, o representante papal declarou que a Santa Sé «não quer oferecer soluções técnicas» sobre a reforma desse organismo da ONU com sede em Roma, «e sim mais uma orientação ideal que contribua para decisões concretas que levem em conta as exigências da pessoa, sobretudo quando a sua situação vital compromete uma existência digna».

«Reformar a FAO significa compartilhar a ideia de que a luta contra a fome é uma situação determinada por múltiplos factores e pelos objectivos que a animam, em torno dos quais se elaboram com frequência estratégias orientadas infelizmente a favorecer sectores particulares em vez de favorecer uma visão unitária: a que situa no centro as exigências da pessoa», denunciou Dom Volante.

Por este motivo, constatou, «os efeitos negativos deste enfoque no sector agrário são evidentes, sobretudo naquelas áreas onde pesam mais a pobreza, o subdesenvolvimento, a desnutrição e a degradação do ambiente».

A delegação da Santa Sé considerou «que tanto a estrutura da FAO como os compromissos desse organismo devem ressaltar a função-chave da agricultura nos processos de desenvolvimento, promovendo em primeiro lugar não a simples gestão, mas critérios de gestão precisos e intervenções que respondam às necessidades».

«Isso significa que para reforçar a produção agrícola e satisfazer a crescente demanda de alimentos não se podem esquecer as razões da segurança alimentar e, por conseguinte, a saúde dos consumidores, além do carácter sustentável da produção agrária e da defesa do ambiente.»

Para esses objetivos que todos os Estados, de uma forma ou de outra, consideram prioritários, segundo Volante, «é necessário que a FAO continue dispondo dos recursos e da confiança necessários por parte da comunidade internacional».

Dom Volante concluiu reafirmando «a disponibilidade da Igreja Católica, das suas estruturas e organizações para contribuir neste esforço, a fim de que cada pessoa receba ‘o pão de cada dia’». O lema da FAO é Fiat panis («Que haja pão»).

O director geral da FAO, Jacques Diouf, propôs celebrar uma reunião no começo do próximo ano com o fim de começar a corrigir o actual sistema que «gera insegurança alimentar mundial».

A reunião também tem de obter os 30 bilhões de dólares anuais que se necessitam para aumentar a produção alimentar nos países em desenvolvimento, através do investimento em infra-estruturas e a melhoria da produtividade.

Adaptado de ZENIT.org


Santa Sé na na Assembleia Plenária da ONU sobre comércio e desenvolvimento

Maio 20, 2008

Publicamos a intervenção de Dom Silvano Tomasi, chefe da delegação da Santa Sé na XII Sessão Plenária da Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, em Acra (Gana), realizada de 20 a 25 de Abril. Ler mais…